A Roda está hoje com 60 colaboradores, envolvidos na realização de 11 projetos, realizados em 79 redes municipais de educação em 11 Estados e em 7 redes estaduais e DF, além de ações de abrangência nacional, como cursos e publicações. É uma atuação que atinge diretamente mais de 2 mil pessoas e alcança mais de 60 mil, entre educadoras/es e estudantes, de forma indireta.
Por serem muitas ações, que abarcam da Educação Infantil ao Ensino Médio, com focos muito distintos, a instituição garante todo ano dois seminários internos envolvendo todos os colaboradores, com apresentações de alguns dos projetos, exercícios e reflexões conjuntos, de forma que a equipe possa se manter próxima e trocar experiências e saberes construídos nesses diferentes contextos.
O primeiro seminário de 2026 ocorreu no dia 3 de julho em São Paulo capital e reuniu presencialmente as pessoas baseadas na cidade e de forma remota quem mora em outros localidades.
A prática acompanha a história da Roda e faz valer a máxima da nossa diretora-presidente Tereza Perez: “Aqui a casa de ferreiro e o espeto é de ferro”, ao falar da importância da formação da própria equipe para o sucesso do trabalho.
O encontro fez um panorana da atuação da Roda, iniciando com a participação na rede Uma Concertação pela Amazônia, passando pelas práticas de diferentes projetos e culminando na apresentação e distribuição à equipe do mais novo livro lançado em parceria com Editora Modern e Fundação Santillana:“Gestão: O trabalho das redes de ensino na dimensão pedagógica”.
“Fiquei encantada com o seminário, muito inspirada e feliz por agora fazer parte dessa equipe. O nível de trocas que aconteceu ali, a seriedade, a diversidade e a riqueza dos projetos da Roda, além do momento cultural, que foi muito inspirador, forte e bonito, mobilizaram muitas camadas dentro de nós, de reflexão e de maravilhamento”, disse a formadora Inez Pinheiro, recém-chegada à Roda, referindo-se ao compartilhamento da obra do artista, curador, comunicador e ativista Denilson Baniwa.
O momento cultural é uma estratégia formativa usada nas formações da Roda nos territórios parceiros e também nos encontros da equipe. Nesse caso, a curadoria foi feita pela coordenadora Juliana Piauí, que selecionou trabalhos de Denilson que marcam sua vivência como um indígena do tempo presente, mesclando referências tradicionais e contemporâneas indígenas e se apropriando de ícones ocidentais para tratar da luta dos povos originários em diversos suportes e linguagens.
A apresentação, seguida de uma conversa para a equipe, também serviu de introdução para Tereza falar da experiência dos aprendizados de facilitar do Grupo de Trabalho de Educação da rede Uma Concertação pela Amazônia e de atuar no projeto Educação Integral nos Territórios Amazônicos.
“As diferentes Amazônias são muitas. Tem uma Amazônia urbana, outra rural, a questão ribeirinha, indígena, quilombola. É uma diversidade imensa”, destacou. Das discussões sobre território e currículo à implementação da Lei 11.645/2008, esses encontros têm ampliado o olhar da equipe sobre os desafios e as possibilidades da educação nos territórios amazônicos apontando para uma educação que reconheça os conhecimentos e as culturas dos territórios, a diversidade das pessoas e a pluralidade de histórias que formam o Brasil.
Apresentação dos projetos e trocas de saberes
A equipe da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar TSE apresentou a iniciativa Educação que Protege – EqP, também do UNICEF, mostrando como ambas as estratégias convergem e se complementam. A EqP visa fortalecer as capacidades das redes de educação para prevenir e responder às violências com base em três pilares: enfrentamento da exclusão escolar de forma articulada com uma estratégia intersetorial de proteção; políticas educacionais e práticas pedagógicas que fortaleçam fatores de proteção e enfrentam a cultura do fracasso escolar; e quebra dos ciclos das violências que se produzem e se manifestam na escola.
Já as equipes do Programa de Educação AXIA Energia e do Projeto Trilhos da Alfabetização (parceria com a Fundação Vale) apresentaram as Ações Institucionais – propostas pedagógicas construídas coletivamente pela equipe escolar a partir da escuta das e dos estudantes, como jornal na escola, clube de leitura, clube de matemática e sessões de filmes. Diferentes de projetos, que são orientados para um produto final, elas são frequentes, regulares e ajustadas continuamente.
Hovuve ainda uma construção conjunta em torno dos “Critérios para produção e seleção de materiais didáticos com foco na equidade” com a equipe que esteve à frente do Projeto Jaê – Educação para Equidade, a partir das orientações didáticas para a Educação para as Relações Étnico-Raciais (ERER).
Para um dos momentos finais, tivemos uma discussão sobre a transição escola-mundo do trabalho, com as participantes da iniciativa 1 Milhão de Oportunidades – 1MiO. A apresentação trouxe por que discutir essa transição, dados sobre as juventudes no mundo do trabalho, o que cabe à escola nesse processo com relação à legislação e documentos curriculares e as implicações para o trabalho educacional e pedagógico.
“Poder apresentar o trabalho sempre provoca entusiasmo na equipe. A gente pensa no que é relevante compartilhar e sabe que está diante de um grupo de profissionais que pode contribuir com os desafios colocados para o trabalho. Todas as vezes que participei das apresentações, saí com reflexões novas”, contou a formadora Patrícia Sarmento.
O encontro contou também com participação da gerente de relações institucionais e projetos da Santillana, Karyne Alencar Castro, que falou sobre as obras lançadas no contexto da parceria da Roda com a Editora Moderna e a Fundação Santillana, que engloba a Coleção Na Escola, com livros para a direção escolar, coordenadoras/es pedagógicas/os, professoras/es e o “Gestão”, voltado para as equipes das Secretarias, além de outros títulos como “Turmas multisseriadas – estudos, pesquisa e memórias”, “Diálogo escola-família”, “BNCC – A Base Nacional Comum Curricular na prática da gestão escolar e pedagógica” e “Projeto político-pedagógico: orientações para o gestor escolar”.
A formadora Patrícia resumiu a experiência vivida no seminário. “Toda vez que participo, quando ele termina, sou invadida por um sentimento de alegria e satisfação por fazer parte de uma instituição que está sempre em movimento. A gente conhece os projetos, os desafios e as reflexões e vai percebendo um movimento contínuo de crescimento institucional, pessoal e profissional. Poder fazer parte de uma instituição que cresce junto e discute questões relevantes para a educação pública é uma oportunidade, um privilégio.”
Foto: Tarumã Luiz | Compondo Ideias