O Ministério da Educação lançou o “Guia de Apoio ao Desenvolvimento Profissional de Coordenadores(as) Pedagógicos(as)”, uma ferramenta essencial para apoiar a liderança pedagógica nas escolas dos anos finais do Ensino Fundamental, no contexto da Política Nacional Escola das Adolescências. Elaborado com a colaboração de especialistas da Roda Educativa, o guia oferece fundamentos e orientações para fortalecer a prática pedagógica e promover o desenvolvimento integral das/os estudantes.
O lançamento foi feito durante webinário promovido pelo MEC no dia 10 de fevereiro, do qual participaram a nossa diretora executiva Roberta Panico e a coordenadora pedagógica Viviane Anselmo. As duas especialistas, representaram a equipe da Roda que se envolveu na construção do guia, que incluiu também a coordenadora pedagógica Thaís Ciardella, todas sob a orientação da diretora-presidente da organização Tereza Perez.
Para Roberta, a intenção foi, a partir da ampla experiência da Roda Educativa em processos de formação de equipes escolares, nas quais a/o coordenadora/or pedagógica/o tem um papel central, instrumentalizar essa/e profissional para exercer suas múltiplas responsabilidades junto às equipes e às/aos estudantes do EF2. “No Brasil, a gente vê, muitas vezes, essa identidade profissional dos coordenadores pedagógicos ainda em construção. Em muitas escolas, ele nem consegue atuar como essa liderança pedagógica e de modo tão bem articulado. E a ideia do guia é justamente poder contribuir com esse processo”, defende.
Ela ainda explica que ser coordenadora/or pedagógica/o nos anos finais do Ensino Fundamental também traz outros desafios. “Muitas vezes é difícil porque esse profissional não é especialista em todos os componentes curriculares, mas ele precisa lidar com professores especialistas e cuidar dessa gestão curricular. Além disso, outra dificuldade são os estigmas negativos sobre quem são e como lidar com os adolescentes, fazendo esse profissional ficar muito tempo tendo que resolver problemas de relacionamento do estudante com os professores ou entre os estudantes. Outras vezes a estrutura, a distribuição das aulas faz com que alguns professores tenham poucas aulas em algumas unidades escolares, ficando pouco tempo para construir, de fato, uma identidade e um envolvimento necessário com o projeto da escola”.
Viviane explicou a estrutura do Guia e como seus três capítulos – Adolescências e equidade no contexto escolar; A coordenação pedagógica na escola das adolescências; e Monitoramento e Avaliação – buscam dialogar com a realidade do trabalho de coordenação.
“A gente foi estruturando o Guia pensando em muitos desses desafios, pensando nessa complexidade e nesses desafios, tanto do ponto de vista da construção da identidade do coordenador pedagógico e também o desafio da própria fase da escolaridade que os estudantes se encontram, mas também considerando toda a potência que pode ter o trabalho com os adolescentes na escola. Esse é o foco principal da política em si”, enfatiza ela.
Além das especialistas da Roda, o webinário “Lançamento Guia de Apoio ao Desenvolvimento Profissional de Coordenadores Pedagógicos” que foi apresentado pelo consultor de políticas públicas para a Educação Básica do Ministério da Educação Victor Eyng, contou com participações como a da coordenadora pedagógica do Instituto Anísio Teixeira na BA, Simone Alves, e Rafaela Possato, da SEDU/ES, que compartilhou experiências e discussões sobre a implementação do guia e a importância da coordenação pedagógica.
A publicação é a terceira de uma série que apoia o eixo Desenvolvimento Profissional. As duas primeiras foram voltadas para equipes técnicas de Educação e Direção Escolar e também estão disponíveis para download gratuito no site do MEC.
O Programa Escola das Adolescências é uma estratégia do governo federal de apoio técnico-pedagógico e financeiro para fortalecer os anos finais do ensino fundamental (do 6º ao 9º ano). Conjugando esforços da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios, a iniciativa busca construir uma proposta para essa etapa de ensino que se conecte com as diversas formas de viver a adolescência no Brasil; promova um espaço acolhedor; e impulsione a qualidade social da educação, melhorando o acesso, o progresso e o desenvolvimento integral dos estudantes.