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Foto de um grupo diverso de adolescentes de costas. Eles olham para um cartaz com o texto: "Fala, estudante. Ideias e propostas favoritas dos alunos para tornar nossa escola mais divertida e educativa".
26/02/2025

Acolhimento no início do ano é essencial na transição para os anos finais do Fundamental

Foto de um grupo diverso de adolescentes de costas. Eles olham para um cartaz com o texto: "Fala, estudante. Ideias e propostas favoritas dos alunos para tornar nossa escola mais divertida e educativa".

Início de ano letivo é um momento de novidades – novas amizades, novas/os professoras/es, novos espaços, é toda uma nova dinâmica – quando há troca de escola, as mudanças são ainda maiores. Nas transições de etapas, acrescenta-se ainda a incerteza das rotinas, até então desconhecidas.

Quando a criança sai da Educação Infantil para entrar no Fundamental, assim como nas transições entre anos iniciais e finais do Ensino Fundamental e mais tarde na entrada no Ensino Médio, são necessárias ações que acompanhem de perto como estão se adaptando e construindo sentido para as mudanças que se apresentam. Afinal, sabemos que um bom acolhimento e o apoio da escola e da família são fundamentais para que crianças e jovens se sintam seguros para interagir e seguir aprendendo!

Aqui vamos tratar da passagem para os anos finais do Ensino Fundamental, momento em que estudantes muitas vezes mudam de escola e de rede de ensino e têm sua rotina escolar reconfigurada com mais professoras/es, mais componentes curriculares e uma exigência cada vez maior de autonomia para os estudos. É um momento também em que estão experimentando muitas transformações físicas e emocionais, o que torna esse período do 6º ao 9º ano chave para a composição das trajetórias escolares – o Ministério da Educação (MEC) lançou o programa Escola das Adolescências com foco neste momento da escolaridade.

A Roda Educativa vem buscando apoiar educadoras/es a preparar estudantes a passarem por essa mudança do 5º para o 6º ano de forma mais tranquila. No Programa de Educação da Eletrobras, realizado no ano passado em dez municípios mineiros, construímos com as equipes locais diversas estratégias para aproximar estudantes que estavam finalizando o quinto ano do que seriam suas novas escolas de Ensino Fundamental.

Uma delas foi a promoção de visitas das turmas de 5º ano às escolas de anos finais – já que, neste município, parte dos alunos segue para a rede do Estado. Diretora da Escola Estadual Deputado Jales Machado, de Alterosa/MG, Raquel Santos Gomes Nobre, recebeu estudantes de duas escolas municipais no final de 2024 e agora, depois de quase duas semanas de aulas desse novo ano letivo, afirma que a ação fez muita diferença na chegada das/os novatas/os.

“Em geral, há um receio [de estudantes e famílias] de que os professores do Fundamental 2 são bravos, de que o tempo é curto, de que os colegas são violentos. Esse ano já tinham conhecido a escola antes, não têm tanta surpresa, já chegam mais seguros, mais tranquilos. Está sendo bem melhor, entendemos que as ações foram muito boas, bastante benéficas, para a socialização deles”, observou Raquel, que está à frente da escola há seis anos.

No primeiro dia de aula, a equipe foi receber todas/os as/os estudantes na entrada da escola, também organizaram um painel de boas-vindas, um lanche especial e deixaram bilhetes na carteira de cada uma/um desejando sucesso no ano letivo! Passada a primeira semana, foi a hora da reunião com as famílias, que têm seus próprios receios em relação a essa nova fase. Em seguida, vem a avaliação diagnóstica que vai permitir identificar necessidades de aprendizagem dessas/es alunas/os, “especialmente em relação ao que pode não ter sido consolidado no quinto ano”.

Embora o primeiro bimestre seja crítico, Raquel sabe que precisará cuidar das/os estudantes ao longo de todo ano, que o acolhimento não se resume a ações pontuais. “É uma atenção contínua, em especial no primeiro semestre, após as férias de julho em geral voltam mais adaptados.”

A fim de ajudar educadoras/es a planejar ações de acolhimento nesse início das aulas e ao longo de todo ano, organizamos, com a consultoria da nossa coordenadora pedagógica Thaís Ciardella, que coordenou o Programa de Educação da Eletrobras, algumas recomendações:

1. Escutar expectativas, medos e desejos

É essencial que professoras/es e coordenadoras/es se dediquem a ouvir as expectativas e as preocupações dessas/es estudantes e de suas famílias. Perguntar “como você está se sentindo em relação a essa mudança?” ou “O que você espera aprender este ano?” faz com que sintam que sua voz é importante na escola, que elas/eles têm lugar ali. A escuta às famílias é essencial para compreender as rotinas de estudo em casa e apoiar essa organização. É importante também mostrar que essa escuta é levada a sério, nem tudo pode ser realizado, mas é necessário que eles sintam que é “para valer”.

2. Fomentar a integração com as/os estudantes de outros anos

É possível promover atividades que envolvam a escola toda e que assim possa gerar integração entre as turmas dos diferentes anos. Estudantes que foram para o sétimo ano podem, por exemplo, retornar ao sexto ano para relatar o que aprenderam de mais significativo. A escola também pode organizar momentos de monitoria entre estudantes dos diferentes anos, de maneira a construir uma rede de voluntárias/os para apoiar a rotina de estudos.

Essa integração também deve ser planejada de forma intencional. Promover clubes de leitura ou sessões de filmes seguidas por debates, por exemplo, favorecem o diálogo entre os diferentes grupos de alunas/os e são uma excelente maneira de fomentar a troca de experiências, além de promover um clima de respeito e solidariedade dentro da escola: “Costumamos investir, enquanto escola, em ações de ‘finalização de projetos’, lá no final do ano, para mostrar para a comunidade o que os jovens aprenderam. Mas é muito importante que a gente traga essas ações também para o início do ano para promover um clima mais favorável à pesquisa e às interações”, acrescenta Thaís.

3. Acompanhamento Constante e Avaliação Contínua

O acolhimento não deve ser uma ação pontual, mas uma prática constante ao longo do ano. O acompanhamento contínuo das/os estudantes em relação às aprendizagens em sala de aula ou em questões de socialização é essencial para identificar possíveis dificuldades e pensar em ações de apoio que possam evitar que o quadro se agrave.

Para isso, é fundamental que a equipe pedagógica esteja atenta a sinais de dificuldades, tanto no aprendizado quanto no aspecto social e emocional. A avaliação diagnóstica pode ser uma excelente ferramenta para identificar as áreas que precisam de mais atenção, mas o acompanhamento contínuo é fundamental.

Vale lembrar que o ideal é que o planejamento de ações de acolhimento seja feito coletivamente, com envolvimento de toda a equipe, direção, coordenação, professoras/es e profissionais de apoio – seguranças, merendeiras, responsáveis pela limpeza, dentre outras/os que trabalham na escola – para que compreendam a importância de receber bem essas/esses estudantes e possam ajudá-las/los a se ambientar na nova escola e se sentirem apoiados no início dessa nova etapa da sua trajetória escolar.

Foto de ação em Alterosa/MG, dentro do contexto do Programa de Educação da Eletrobras

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