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Foto de pessoas adultas diversas em uma sala olhando para materiais impressos diversos que estão em suas mãos ou sobre as mesas. Atrás delas, pela janela, há alguns jovens em um pátio.
Elipse Laranja Elipse Laranja
29/10/2026

Curso on-line oferecido por Roda e UNICEF apoia redes de ensino no desafio da recomposição das aprendizagens

Foto de pessoas adultas diversas em uma sala olhando para materiais impressos diversos que estão em suas mãos ou sobre as mesas. Atrás delas, pela janela, há alguns jovens em um pátio.

Desde a pandemia, a proposta de recomposição de aprendizagens foi incorporada à política educacional no Brasil, mas na prática ainda há muita dúvida por parte das equipes escolares sobre como oferecer, a estudantes que não consolidaram aprendizagens no tempo esperado, as condições de que precisam para aprender e avançar com sucesso nos seus estudos.

Foi pensando nessa demanda que UNICEF e Roda Educativa desenvolveram o curso on-line “Estratégias permanentes e contínuas de recomposição de aprendizagens”. Embora seja voltado para gestoras/es, coordenadoras/es pedagógicas/os e professoras/es dos 2.277 municípios que participam do Selo UNICEF – iniciativa que propõe compromissos da gestão municipal com melhorias na educação, dentre outras áreas -, o curso está disponível no AVA UNICEF de forma gratuita a quem se interessar.

A proposta é traçar caminhos para acompanhar a/o estudante ao longo de todo o ano e lhe dar o apoio necessário ao diagnosticar a necessidade de recompor aprendizagens estruturantes, ou seja, aquelas que são importantes para ela ou ele seguir aprendendo, sem esperar o final dos ciclos letivos para fazer o encaminhamento para a “recuperação” ou eventualmente reprovar a/o estudante.

“Recompor significa agir assim que uma lacuna é percebida, ao longo de todo o ano letivo, sem esperar o fechamento de um bimestre, de um semestre ou do ano letivo para reconhecer que um estudante não aprendeu determinado conteúdo”, explicou a oficial de Educação do UNICEF, Erondina Barbosa, em entrevista ao Blog da Roda.

Conexão com a realidade dos municípios

Desde o lançamento, , 17.343 pessoas de 847 municípios já concluíram o curso. A articuladora do Selo UNICEF na Secretaria de Educação de Bagre, na Ilha do Marajó (PA), Andresa Novaes, é uma delas.

“É um curso muito importante. Fala a nossa linguagem, traz os nossos anseios. Eu vi lá os mesmos problemas que alguns professores compartilhavam aqui. Ele traz o trabalho em equipe, a interdisciplinaridade do trabalho, que não precisa ser só de língua portuguesa. Eu amei. E todas as pessoas com quem eu conversei me falaram a mesma coisa. É a nossa realidade”, afirma Andresa, que se orgulha de ter ajudado a mobilizar 50 profissionais do município a fazerem o curso, superando com folga a meta de alcançar 30% das 58 escolas atendidas.

Também de Bagre, a professora Izandra Pessoa Pinheiro, que leciona História e Ensino Religioso na escola ribeirinha Nelson Gomes de Souza, fez o curso e reconheceu situações de estudantes que chegam à sua sala depois de terem sido reprovados sucessivamente.  Segundo Izandra, os atrasos gerados pela pandemia muitas vezes são usados ainda como “desculpa” para a reprovação.

“Aí o aluno se sente oprimido, porque não consegue fazer a meta que o professor quer e vai ficar repetindo de ano. Tem que ter conversa e acolhimento”, defende a professora, que fez o curso ao longo de duas semanas, estudando um pouco toda noite.

“Eu mudei completamente quando comecei a estudar [Educação do Campo, em Altamira], joguei meu plano de aula fora porque estava na mesmice que às vezes a gente só se dá conta quando alguém fala. O curso do UNICEF veio confirmar o que eu pensava. Acho que o diretor e o coordenador também têm que fazer.”

O déficit de aprendizagem no Brasil é anterior à pandemia, mas foi nesse período, quando o país ficou entre os que mais tempo passaram sem aulas presenciais, que o cenário se agravou e passou a ser reconhecido como problema a ser enfrentado. A suspensão das aulas e a indicação do continuum curricular, obrigaram as redes a repensar suas estratégias, evidenciando que a reprovação, usada no Brasil há décadas como estratégia pedagógica, parte de uma premissa falsa: a de que repetir o ano garante mais aprendizagem.

Em Barra do Rocha, município do interior da Bahia, a mobilizadora do Selo UNICEF, Iracema Oliveira, também destacou o fato de o curso refletir o que vive no dia a dia. “O curso tem situações reais para analisar, traz estratégias permanentes e contínuas de recomposição das aprendizagens, bem pensadas, e que contribuem para apoiar decisões da equipe de gestores e professores no cotidiano da escola”, disse Iracema. “Até disponibiliza um guia pra implementação da recomposição das aprendizagens.”

Trajetórias de Sucesso Escolar

O curso se soma a uma série de ações feitas no contexto da parceria entre UNICEF e Roda Educativa, iniciada em 2019, por meio da estratégia Trajetórias de Sucesso Escolar (TSE). A TSE trabalha com a recomposição de aprendizagens desde então, buscando romper o “ciclo do fracasso escolar”, conforme explica a oficial do UNICEF, Erondina Barbosa.

“O ciclo começa com meninos e meninas sendo reprovados. Quando são reprovados mais de uma vez, ficam em distorção idade-série. Muitas vezes abandonam a escola. Depois voltam para a escola e seguem nesse ciclo. Voltam e são reprovados novamente. Continuam em distorção e abandonam. É por isso que a gente chama de ciclo de fracasso escolar.”

Erondina lembra que o ciclo atinge de forma desproporcional e desigual meninos e meninas do Norte e do Nordeste, estudantes negros, indígenas, quilombolas, com deficiência, de zonas rurais e de periferias.

“Esses meninos e meninas sofreram múltiplas reprovações, estão em atraso escolar. O que a gente faz? A gente faz um currículo diferente, que permita a eles e elas seguir aprendendo junto aos seus pares etários. Esse, para mim, é um conceito genuíno de recomposição das aprendizagens. Que é fazer adequações curriculares, fazer priorizações curriculares para que esses meninos e meninas aprendam e sigam aprendendo junto aos seus pares etários”, afirma Erondina.

Por isso, o UNICEF hoje trabalha com a ideia de uma trajetória escolar regular e segura, fazendo convergir as estratégias da TSE e do programa Educação que Protege, em um reconhecimento de que estudantes mais reprovados estão na sua maioria em situação de maior vulnerabilidade, sendo duplamente penalizados.

Sobre o curso

Com duração de 40 horas, o curso “Estratégias permanentes e contínuas de recomposição de aprendizagens” é autoformativo, podendo ser feito conforme a disponibilidade da/do cursista.

Elaborado a partir dos guias do Pacto Nacional pela Recomposição das Aprendizagens, do MEC, entre outras referências, ele está estruturado em quatro módulos: A potência da recomposição das aprendizagens para o sucesso escolar; Ler e escrever ao longo da trajetória escolar; Aprender matemática para avançar; e Acompanhamento próximo e contínuo para trajetórias de sucesso escolar.

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