contraste contraste
instagram facebook linkedin youtube email
ioeb contato como apoiar
Foto de uma mulher em primeiro plano, no fundo desfocado, há adolescentes diversos em carteiras escolares.
Elipse Laranja
15/10/2025

Apagão de professores: risco ou profecia?

Por: Artigo por Tereza Perez, Roberta Panico e Patricia Diaz
Foto de uma mulher em primeiro plano, no fundo desfocado, há adolescentes diversos em carteiras escolares.

*reprodução na íntegra do artigo publicado no site do Porvir
Foto: Camila Lima / Porvir

A ideia de um apagão de professores é discutida como um risco, mas de tão repetida pode ser naturalizada. São tantos os motivos para não escolher a carreira docente, são tantas as possibilidades de acesso rápido e fácil a informações… que essa perspectiva pode passar de terrível a inevitável.

Por isso, nesse mês dos Professores, é fundamental lembrar por que a profissão é e sempre será fundamental, por que devemos defendê-la e seguir lutando para que professoras e professores de todas as etapas do ensino, mas especialmente da educação básica, tenham condições para exercer seu ofício da melhor forma possível.

Caminhos a seguir e cenários

Condições dignas de remuneração, de progressão na carreira, mas também de tempo de estudo, de planejamento, de formação continuada, de trocas com seus pares, para que sua atuação seja reflexiva, conectada com a realidade atual e referenciada por uma comunidade de profissionais pautada pela excelência e pela garantia do direito de aprendizagem de todos.

O risco do apagão docente também não é exclusividade do Brasil. De acordo com o relatório global sobre professores da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), em um mundo em que ainda temos 251 milhões de crianças fora da escola, são necessários mais 44 milhões de docentes para dar conta da educação primária e secundária até 2030. Na América Latina, faltam 3,2 milhões de profissionais.

Na ausência de professores, quem assume a responsabilidade por introduzir as novas gerações ao patrimônio cultural e histórico construído pela comunidade? Quem ensina a uma criança, um adolescente ou adulto todo o esforço que fizemos até aqui para compreender, sistematizar, classificar esse conhecimento acumulado pelos povos? Quem lhes estimula a contribuir com esse conhecimento, a inovar, a transformar, a não repetir os erros e abusos do passado? Não são tarefas a serem desempenhadas por pessoas exaustas, desvalorizadas, ameaçadas, preocupadas com o próprio sustento. Nem mesmo pela incansável inteligência artificial.

A resposta, portanto, ao risco de apagão não está em buscar alternativas ao professor, mas sim em fortalecê-lo sempre, lhe oferecer as melhores condições para que realize o melhor trabalho.

Atenção aos professores

Feito por professoras para professoras e professores, o livro “Docência – ensinar, aprender e transformar agora”, é um passo nessa direção, apresentando-se ao mesmo tempo como instrumento de planejamento da prática docente e de fortalecimento da identidade profissional deles.

Construído a partir da formação e da interação com milhares de docentes com os quais a Roda Educativa, organização da sociedade civil composta por educadores e profissionais de diversas áreas que atua na formação de profissionais de redes públicas há 27 anos, Docência é um convite à reflexão sobre o papel transformador do professor na escola e na sociedade e uma provocação generosa para que torne seus saberes e desafios visíveis à sociedade.

O livro “Docência – ensinar, aprender e transformar agora” está disponível para download gratuito nos sites da Roda Educativa e da Fundação Santillana. Baixe agora!

“Precisamos fazer com que todos os setores da sociedade compreendam nossas necessidades e nos encarem como profissionais que buscam continuamente qualificação. Nós nos valorizamos, conhecemos bem as demandas, as dificuldades e a falta de condições para o pleno exercício da profissão, mas só seremos valorizados se falarmos e escrevermos sobre o que fazemos e os dilemas que enfrentamos – não como queixa ou autoelogio, mas como evidência de conquistas realizadas e de problemas enfrentados”, apontam as autoras na introdução do livro.

conteúdos relacionados

Este site usa cookies para melhorar sua experiência.